Não dê as costas para o Rio

    Literalmente damosas costas para o nosso rio Preto. As fren
tes das casas, como corpos, estão voltadas para a rua, e
voltadas para trás, bundas evacuam dejetos em seu leito. Produtos, como se fossem alimentos, entram pelas portas, como nas bocas. São digeridos em seu interior e depois são expelidos.
Tudo que não presta mais jogamos no rio. Pensamos que leva as nossas sujeiras...Pensamos. Infelizmente o desprezamos.
    Os materiais pesados depositam-se no fundo do leito, os leves como os plásticos e as garrafas “PETs”, são carreados para outras paragens. Tintas, óleos, soro de leite, produtos hospitalares etc., contaminam as águas e alteram o ambiente natural dos seres que ali vivem.
Quantas terras dos morros já não estão acamadas em seu leito, descem desde o ciclo do café. Latas, garrafas, ossos de animais, pneus e outros produtos certamente já fazem parte de seu mundo subaquático.
A rede de esgoto que serve a cidade é apenas para encaminhar os dejetos para seu leito, não para o correto tratamento dos mesmos. Quando damos descarga jogamos excrementos que de alguma forma chegam em seu curso. Excrementos esses que podem carrear doenças para populações que moram rio abaixo.
     Vários tipos de dejetos descem encanados, e vêm da maioria das casas, lojas, oficinas, postos de gasolina, laticínios ou outros estabelecimentos dos bairros da cidade...Centro, Safira, Cavaco, Atalaia, Divino, da vizinha Parapeúna etc., ninguém escapa. Prefeito, vereadores, mecânicos, pecuaristas, dentistas, médicos, advogados, empresários, comerciantes, donas de casa etc., todos contribuem para poluir o rio.
Quando a vila de Rio Preto nasceu à margem do rio, certamente foi para facilitar o escoamento dos dejetos produzidos pelo Homem, que nem sei se hoje em dia tem mais à sapiência que conferiu o nome da espécie, Homo sapiens. Hoje, com o crescimento urbano a cidade não é a mesma daquela data remota, onde havia um número bem menor de habitantes.
     Sabemos que todos os seres vivos necessitam da água para sobreviver, mas mesmo assim não respeitamos as águas. Não evemos cuidar apenas da qualidade das águas que consumimos, mas também devemos ter a responsabilidade com as águas já utilizadas, é questão de saúde pública e de respeito com os seres que vivem em um curso d’água.
      Para entender um pouco mais PENSE em uma seguinte experiência...NÃO FAÇA!!!. Nem com a presença de um adulto, pois esse pode fazer pior. Em um aquário com peixes jogue um pouco de fezes...Soro de leite...Tintas...Óleo de cozinha, um pouco de óleo queimado, e outras coisas que já não servirem mais ao seu uso...Entendeu? Não é difícil imaginar o que ocorrerá, não é? Mas, POR FAVOR, NÃO FAÇA ISSO, vai ser uma catástrofe em seu aquário repetir o que fazemos com o rio. É óbvio que tudo vai depender da proporção de dejetos que você adicionar ao volume d’água, quanto maior, maior será o desastre.
Prefeitos entram e saem para a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, mas eles não dão a devida atenção ao tratamento dos esgotos, ao saneamento básico. “Mas, para que realizar obras que ficarão enterradas? Obras que não serão vistas, comentadas e nem lembradas”. Infelizmente, é o pensamento de “administradores” sem a responsabilidade social. O que dá “ibope” são locais de festas, estradas e mata-burros.
      Quando olhar para o rio tente “enxergar” por debaixo da lâmina d’água o que existe ali, de onde a água vem e para aonde vai. Lembre-se que o ciclo das águas passa por você, e que aproximadamente 70% do seu corpo é composto de água.
     Ah! E lembre-se que existem populações que moram rio abaixo e rio acima de onde moramos, e que também puxam a descarga após a utilização das latrinas. Torçam para que os administradores públicos das cidades rio acima sejam sérios, e que pensem e ajam com responsabilidade social.

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