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De uma forma genérica, qualquer interferência do homem na natureza provoca nela um impacto ambiental. Um desmatamento para a construção de uma estrada ou para a utilização do espaço da floresta para a agricultura ou para a pecuária, a construção de uma represa, destinada à alimentação de uma usina hidrelétrica ou para um projeto de piscicultura, por exemplo, certamente, causam graves impactos ambientais. Uma fábrica potencialmente poluidora - do ar, da água ou do terreno - constitui-se numa séria ameaça ao meio ambiente. È por esse motivo que qualquer projeto de médio a grande porte necessita, por lei, de uma avaliação por parte das autoridades ambientais que irão emitir um documento chamado de Rima – Relatório de Impacto Ambiental. Conforme a gravidade do potencial impacto, o projeto pode até não ser aprovado. Em alguns casos, a empresa responsável pelo projeto pode apresentar planos para evitar que acidentes possam acontecer; em outros, exige-se o compromisso de substituição do dano ambiental por projetos paralelos de reflorestamento, repovoamento da fauna ou outras providências preventivas ou reparadoras. Em nossa região temos muitos exemplos de casos de fortes impactos ambientais decorrentes da construção de estradas e represas, da instalação de fábricas e do aumento populacional descontrolado, entre outros. No caso, por exemplo, do asfaltamento da estrada que liga Rio Preto a Juiz de Fora, muitas árvores foram sacrificadas e muitos morros foram rasgados, deixando verdadeiras cicatrizes na terra, propiciando, desde o secamento de fontes de água, assoreamento de rios e córregos, até o surgimento de grandes voçorocas provocadas pela erosão da terra desprotegida. Uma represa foi construída em nosso município, destruindo grandes áreas de mata nativa e brejos que abrigavam grande variedade de animais que ou tiveram que fugir para outro ambientes ou acabaram morrendo afogados lá mesmo, na impossibilidade de fuga. Nos dois casos acima, sabe-se que os danos ao meio ambiente foram reparados por projetos de reflorestamento e repovoamento de fauna. Quem, na nossa comunidade, desconhece que o Ribeirão do Ubá, ou Peixinho, como é mais conhecido, sofreu e ainda sofre um desastroso impacto ambiental, decorrente da poluição causada por uma indústria de laticínio instalada próxima às cabeceiras de um de seus afluentes? As conseqüências vão desde a mortandade de peixes e crustáceos que viviam naquele ambiente, até a inviabilização do balneário formado pelas cachoeiras dos Maias e do “Sobém”, antes tão freqüentadas por nossas famílias e nossos filhos. Perdemos uma das poucas diversões sadias que nos restavam. Mais recentemente, esse ribeirão vem sofrendo um processo de erosão de suas barrancas e um conseqüente assoreamento de seu leito, sem precedentes em sua história conhecida, agravando as condições para a sobrevivência de sua flora nativa e ameaçando pontes e vias de acesso às propriedades ao longo dele. A pergunta é: porque as autoridades ambientais aprovaram tal projeto, se os riscos ao meio ambiente eram tão graves? E, ainda: será que as possíveis exigências das autoridades não foram cumpridas, por falta de fiscalização? E, agora? Quem será responsabilizado por tão grave impacto ambiental: as autoridades, que foram omissas, ou o responsável pela fábrica, que não cumpriu as determinações delas? Haverá meios e tecnologia para recuperar o meio ambiente degradado, ou teremos que assumir o prejuízo e arcarmos com as suas conseqüências? Essas constatações nos levam a uma outra questão crucial, qual seja: cabe à comunidade, como um todo, e ao cidadão comum, em particular, fiscalizar o cumprimento das leis, denunciar eventuais irregularidades e cobrar as providências cabíveis. Seja através de protestos públicos, seja através de ações na Justiça, ou outros meios legais disponíveis. O que não se pode admitir é a omissão, tanto das autoridades quanto da própria comunidade ou do cidadão. É uma questão de conforto e dignidade das pessoas agora vivas, mas, sobretudo, uma questão de sobrevivência das gerações futuras. Deixando, porém, de lado, as questões mais graves, devemos nos preocupar com o nosso comportamento diário, com nossas ações corriqueiras: será que aquela garrafa de refrigerante que jogamos na rua, ou na estrada, é tão inofensiva ao meio ambiente quanto parece? Será que aquela ponta de cigarro, aquele papel de bala ou embalagem de biscoitos que, despreocupadamente, jogamos na rua, são tão inocentes assim? Imaginemos que todo mundo faça assim. Já pensou a quantidade de lixo que vamos ter em nossas ruas, nossas estradas e nossos quintais, entupindo bueiros, enfeiando a cidade e poluindo nossos rios? Por outro lado, temos que refletir que todos nós, cidadãos, pagamos impostos. Seja sob a forma explícita de IPTU, Imposto de Renda, ISS e muitos outros, ninguém escapa deles, enquanto compra ou vende, enquanto constrói ou destrói, enquanto vive ou morre. Mas, o que fazem as autoridades governamentais, eleitas por nós, com o nosso dinheiro? Quanto dele é gasto - ou, melhor - investido no meio ambiente, ou seja, na garantia do futuro de todos nós? Impacto ambiental é isso: nós somos os causadores e, no final, sem sombra de dúvidas, as próprias vítimas. Para alguns de nossos pecados há remédio, para outros, entretanto, resta-nos o castigo e a vingança da natureza. Mas, vamos esperar que a natureza se vingue de nossas irresponsáveis agressões ou seria melhor pormos a mão na consciência e parar de agredir o meio ambiente, do qual nossas próprias vidas e as de nossos descendentes dependem? Alguém se habilita a responder? |