EFEITO ESTUFA!... UFA!... UFA!... UFA!...
(José Antonio Maia)
Muito se tem falado sobre esse tal "efeito estufa" e sobre
suas conseqüências, principalmente o aquecimento global e
a elevação do nível dos mares. Dizem, também,
que a água doce vai acabar. Fala-se tanto no assunto que parece
que todo o mundo está repetindo todo o mundo, como um eco (efeito
estufa! ufa! ufa! ufa!), sem pensar, sem sentir, sem refletir. E de
tanto se falar no efeito estufa, o assunto acaba se tornando banal e
continuamos a fazer tudo igual, sem nos preocuparmos com o que se está
falando, como se nada tivéssemos a ver com isso. O assunto perece
muito distante de nós, pois não temos indústrias
nem muitos carros e parece que podemos fazer muito pouco para ajudar.
E viramos a página do jornal ou mudamos de canal.
E o que é que nós, daqui de Rio Preto, de fato, temos
a ver com tudo isso? Afinal, temos água de sobra (é a
grande vantagem de se estar ao pé da Serra que Chora (Mantiqueira,
na língua tupi). E, também, estamos bem acima do nível
do mar, muito longe da área do iminente alagamento. Isso tudo
parece histórias de ficção científica, histórias
modernas de Júlio Verne ou de Marco Polo. Parece.
Mas, não é preciso ser nenhum especialista no assunto,
para acreditar que um desastre está para acontecer. Basta ter
um pouco de idade, ou ler um pouquinho, ou, até mesmo, de vez
em quando, ver um programa sobre ecologia, na televisão, para
constatarmos que, realmente, as águas doces estão diminuindo
enquanto as salgadas aumentam. Por aqui é menos visível,
porque temos muita água doce, graças a Deus. Mas, mesmo
assim, aqui e acolá topamos com um brejo que secou, com uma mina,
antes copiosa, que virou um "mijinho" d'água. Vez por
outra, vemos as autoridades às voltas com a captação,
cada vez mais longe, de água para a população.
Afinal, a população continua aumentando e tomando banho
e lavando roupa e bebendo e comendo e fazendo cocô e xixi, sujando
cada vez mais as águas próximas disponíveis. Sujamos
as águas, também, com o nosso luxo e com o nosso lixo.
Eu já ouvi muita gente afirmar (e deve ser verdade) que não
joga lixo no rio. Mas joga lixo na rua, no mato no pasto na estrada.
Como todos os corpos, pela Lei da Gravidade tendem a descer, esse lixo
acaba nos rios, no mar, empurrado pelos ventos e pela chuva. Então,
quem diz que não joga lixo no rio, mas o joga na rua, é
mentiroso.
Mas, mesmo que nossas águas daqui de Rio Preto não se
acabem nos próximos 100 anos, e mesmo que o nível do mar
não suba até aqui, imagine toda a baixada fluminense debaixo
d'água do mar. Para onde vão as pessoas, as indústrias,
os carros e tudo o mais que hoje há lá? Que Alá
nos ajude, mas os que escaparem com vida, fugirão para lugares
mais altos e onde haja água. Já pensou que eles podem
vir para cá, onde é mais alto e tem água e é
perto? Vai ser o caos, para nossos filhos e para nossos netos.
A princípio, parece um paradoxo: as águas que nascem na
terra estão diminuindo e o nível do mar está aumentando.
Tudo bem, são as geleiras e as calotas polares que estão
derretendo. Mas se seguirmos os conselhos dos ecologistas, protegendo
as nascentes, preservando as florestas existentes, replantando árvores
e preservando os brejos, aumentaremos a produção de água.
Não estaremos, assim, contribuindo para o aumento do nível
do mar? Em tese e à primeira vista, sem muita análise,
é isso mesmo. Mas será que o desastre anunciado, com mudanças
climáticas tão radicais e tantos fenômenos atmosféricos
violentos e incomuns (El Niño, La Niña, Tsunamis, Katrinas,
secas brabas na Amazônia e enchentes assustadoras no Nordeste,
entre outros), é só conseqüência do efeito
estufa e da destruição da camada de ozônio, provocados
pela poluição do ar? Eu estou certo que não. Não
acharemos a solução dessa charada, só olhando para
cima e para longe. O problema está bem debaixo dos nossos pés,
diante do nosso nariz, visível mesmo para nós que moramos
aqui em Rio Preto.
Acontece que uma coisa que os ecologistas ou os meteorologistas não
falam nem os geólogos explicam, é que a crosta terrestre
(a parte mais dura da terra, de 6 a 40 quilômetros de espessura)
não é uma crosta compacta e impermeável. Ela é,
na verdade, uma verdadeira espuma , tipo queijo de leite azedo, (cheia
de áreas ocas – ou poros – e rachaduras) embebida
em água, petróleo, gases ou magma. E entre a maior parte
desses poros e rachaduras há comunicação. Os líquidos
existentes nesses poros e rachaduras interligados estão em constante
movimento. No caso da água, resfriada nas profundezas dos oceanos
circula, servindo como um verdadeiro radiador (desses usados nos carros,
para resfriar os motores) ou como o sistema sudorífero de nossa
pele. E esse radiador serve para resfriar a crosta terrestre, impedindo
que o calor que está nas camadas mais profundas da terra (manto
e núcleo, cada qual com quase 3.000km de espessura) cheguem à
superfície. E é aqui que nós, simples mortais,
autênticos caipiras, sem autoridade e quase sem importância
nesse mundão de meu Deus, podemos fazer a diferença.
No meu modo de entender, esse tal de efeito estufa, sozinho, não
explica o que está acontecendo na terra; não explica o
tal aquecimento global. Tem mais sujeira por baixo desse tapete que
os cientistas e as autoridades ou os grandes empresários não
querem explicar, por que seria admitir seus erros, ao longo de todos
os anos da história que conhecemos. Mas isso é uma outra
história (uma tese maluca – de um curioso, um observador,
não de um técnico) que fica para a próxima edição
deste jornal, se os editores tiverem coragem de me dar mais espaço.
E abre-se o debate sobre o aquecimento global, sob uma nova visão,
sob uma nova perspectiva. É lógico que o assunto não
se esgota aqui nem no próximo número do jornal. Da minha
parte, porém, eu topo discutir com quem quer que seja (geólogos,
físicos, professores de ciências, meteorologistas, etc.)
esse assunto. E gostaria de encontrar alguém que me convença
de que estou errado.
EFEITO RADIADOR!... DOR!... DOR!... DOR!...
(José Antonio Maia)
Voltando um pouco atrás, em nossa tese: a terra é como
um queijo de leite azedo, cheia de ocos e rachaduras, de tamanhos e
formatos diversos, que vão desde aqueles de espessura menor que
a de um fio de cabelo até grandes galerias, alguns cheios de
petróleo, outros cheios de magma vulcânico, outros contêm
gases, e muitos estão cheios de água, formando verdadeiros
oceanos subterrâneos, os chamados aqüíferos, e todos,
grandes e pequenos formam o conhecido lençol freático.
A maior parte desses vasos serve para o transporte desses líquidos
e gases, de um lugar a outro; alguns, entretanto, são estanques,
servindo para o simples armazenamento desses líquidos e gases.
Todos, porém, têm a função de ir absorvendo
o calor contido no núcleo da terra, refrescando sua superfície.
Alguns afloram à superfície da terra, sob a forma de minas
ou fontes. Em raros casos, esse afluxo acontece sob pressão ou
a altas temperaturas, como é o caso dos vulcões e dos
gêiseres. Na maioria, é certo, são plácidas
fontes de água fresca, que brotam tão discretamente que
mal lhes vemos o olho, e com desprezo e ignorância as tratamos
de brejos, pântanos, tijucos, barreiros.
Em nossa santa ignorância, lá fomos nós e derrubamos
as matas que cobriam os morros e pelamos as que sobraram protegendo
os rios e os brejos. Nos morros, plantamos café e cana. Esgotada
ali a terra, fizemos deles pastagens. Hoje, pelados de suas matas e
de sua vegetação nativa, e feridos e cortados pelos pés
dos bois e pelos tratores das estradas, nossos morros desmoronam em
vermelhas chagas e sangram em profundas voçorocas. Essa terra
que sai dos morros vai para dentro dos rios diminuindo a capacidade
dos peixes, crustáceos, planctons e plantas aquáticas
de respirarem, matando-os. No fim, vai parar fundo dos rios, lagos e
oceanos, assoreando-os. Não satisfeitos, cavamos valas e esgotamos
os brejos, para mais pastos e mais plantações. Não
respeitamos mata amazônica, atlântica, serrado ou caatinga:
vira tudo cinza ou pau podre e tudo vai por brejo, ou melhor, por não
termos mais brejo, vai tudo pro mar. E nós pro inferno; se não
"aquele", depois da morte, este daqui mesmo, do aquecimento
global. E o que resta é uma camada duríssima e impermeável,
seca e imprestável: o deserto.
Qualquer um que tenha a capacidade de ler este jornal e de entender
as minhas palavras, conhece também a lei dos vasos comunicantes.
Resumindo o tema, segundo essa lei, vasos que se comunicam entre si
mantêm níveis diferentes entre si, se preenchidos com qualquer
líquido, de acordo com a área de cada vaso exposta à
pressão atmosférica, da altura e do volume de água
armazenada neles. Os alpinistas sabem que o ar tem peso e que à
medida em que sobem ele pesa menos (o ouvido estala, equilibrando a
pressão interna do corpo com a externa) porque, quanto mais alto,
mais rarefeito, menos denso é o ar; e a densidade de qualquer
matéria lhe determina o peso. Na descida, é que sentimos
mais o seu efeito: nosso ouvido entope e temos que apertar o nariz e
forçar a respiração, ou abrir bem a boca, para
que a pressão se equilibre e votemos a ouvir normalmente. Os
mergulhadores também sentem o peso da água. Em relação
ao ouvido, o efeito é semelhante. No mar, a cada 10 metros de
profundidade, soma-se a pressão – ou o peso – equivalente
a uma atmosfera. Assim, a 300 metros, temos 31 atmosferas de pressão
ou de peso. No imenso sistema de vasos comunicantes, o mar (oceanos)
forma o vaso maior, sobre o qual a atmosfera exerce a maior pressão.
Além da atmosfera, há o peso da própria água.
Então, no fundo do mar, há cerca de 8.000 metros de profundidade
(a maior fossa abissal tem 8.800 metros de profundidade e está
localizada no Mar da Oceania), temos uma pressão equivalente
a 801 atmosferas. Por isso, o homem não consegue ir a grandes
profundidades sem a proteção de equipamentos, como escafandros
e submarinos. E lá, no fundo do mar, existem criaturas muitos
estranhas, monstruosas, devido às altas pressões e às
baixas temperaturas. Se elas – um tubarão, uma lula, uma
lagosta gigantes – agora estão aparecendo é porque
algum desequilíbrio em seu "habitat" os está
expulsando de lá. Provavelmente é o aumento da temperatura
da água lá nas profundezas onde habitam. E eles sobrevivem
pouco tempo depois que aparecem, por causa da pouca pressão daqui
de cima.
Muito bem! Pela pressão, o grande vaso vai empurrando, ou "bombeando"
(como a bomba d'água no motor do carro), a água, através
de grandes canais, que se tornam pequenos, a altitudes variadas: há
fontes de água doce poucos centímetros acima do nível
do mar e mesmo no cume das mais altas montanhas da terra (a 8.000 metros
de altitude). Na mansidão das fontes (elas não espirram
com a pressão, nem jorram em grandes volumes), estejam elas ao
nível do mar ou no alto do Himalaia, está a demonstração
do perfeito equilíbrio, estabelecido pela natureza a esse imenso
sistema de vasos comunicantes. O movimento dessa água por esses
canais é que faz o efeito de radiador. Sem matas, sem brejos,
sem proteção, nosso solo, ressecado, se torna, aí
sim, impermeável, não permitindo que a água aflore,
mansa e limpa. Assoreados e cheios de lixo, os nossos rios e mares também
têm suas comunicações com o lençol freático
(ao qual alimentam e dos quais se alimentam) entupidas e acabam desaparecendo.
Mas, se tapamos as suas saídas, ou suas entradas, na superfície
da terra, ela permanece parada nesses mesmos canais e não resfria
a terra; ao contrário: se aquece com a temperatura da terra.
Permanecendo parada nos mares e oceanos, a tendência é
que sua superfície se aqueça sob o efeito do calor do
sol e do efeito estufa e provoque os fenômenos devastadores que
conhecemos. Assim, a nossa preciosa e doce água vai "acabando"
e vai acabar. E para que ela não acabe, temos que parar de desmatar,
parar de esgotar os brejos, replantar as árvores que cortamos,
e parar de produzir tanto lixo e aprender a reciclar, reaproveitar tudo
o que usamos. Ao impedirmos que a água jorre normalmente, somos
obrigados a fazer, por nossa conta, o que a natureza já tinha
feito e nós desfizemos. E danamos a abrir buracos na terra à
procura da água que não brota mais. O problema é
que, quando a encontramos, geralmente retiramos mais do que a natureza
pode permitir, porque, mais burros, não sabemos qual é
o ponto de equilíbrio dela. E novos desastres são provocados.
Não existe burrice maior.
Precisamos parar de tapar os buracos da Natureza. Urgente!!! Gente!!!
Gente!!! Gente!!!
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