CARTA DE MINAS GERAIS
A Carta de Minas Gerais adotada pela Conferência
Internacional "Diálogos da Terra no Planeta Água"
em Belo Horizonte-MG, 26 a 28 de novembro de 2008.
O Diálogos da Terra no
Planeta Água, iniciativa do Governo de Minas Gerais, da Green
Cross Internacional, Green Cross Brasil e Fundação Renato
Azeredo, como apoio do poder público, da iniciativa privada e
de entidades do terceiro setor, imprensa e comunidade dentro dos pressupostos
das iniciativas no âmbito dos Diálogos da Terra, em benefício
das populações e na busca da sustentabilidade da vida
no planeta e do desenvolvimento sustentável,
Considerando as resoluções e os princípios estabelecidos
no âmbito da Rio 92, visando a garantir a integridade de vida
no planeta, em especial o Protocolo de Quioto, a Agenda 21 e a Convenção
Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas,
Recordando os compromissos assumidos pelos países com os Objetivos
de Desenvolvimento do Milênio e a necessidade de um esforço
solidário pelo seu atendimento,
Tendo em mente os princípios éticos da Carta da Terra,
que apontam para a necessidade de mobilizar a sociedade civil, empresários,
cientistas, ambientalistas, movimentos sociais e governos e as pessoas,
em particular, para debatê-la e divulgá-la,
Reafirmando a importância da solidariedade internacional e do
aumento da eficácia da atuação de organismos multilaterais
diversos,
Tendo em consideração que a água é uma dádiva
da natureza e não uma mercadoria, aprendamos com os erros do
passado e passemos a considerá-la um importante fator da globalização
cultural,
Ressaltando a necessidade de, no atual contexto mundial de mudanças
econômicas e políticas, planejar ações voltadas
para um modelo sustentável de desenvolvimento, como compromisso
com a qualidade de vida das populações, o respeito ao
meio ambiente, à biodiversidade e à diversidade cultural,
e que se busque a inclusão social e econômica e a erradicação
da pobreza,
Considerando ainda a realidade grave da matriz energética global
baseada em combustíveis fósseis esgotáveis, das
mudanças climáticas e da iminente escassez de água,
inclusive para as necessidades humanas básicas,
Admitindo a convicção de que esforços de mudanças
estão acontecendo e que orientam para a necessidade de se discutirem
experiências bem sucedidas, com avanços importantes na
conservação e uso adequado dos recursos naturais para
construção do desenvolvimento sustentável,
Recordando a necessidade de obtenção de informações
e dados meteorológicos e hidrológicos de boa qualidade,
1. Decide atuar na aceleração do cumprimento das Metas
do Milênio e da Agenda 21, proclamadas pela ONU;
2. Conclama a participação no esforço para a conclusão,
em 2009, das negociações da Convenção Quadro
da ONU para as Mudanças Climáticas, enfocando soluções
para os problemas da água, com destaque para harmonização
de seu ciclo;
3. Constata que o aprofundamento e a difusão da compreensão
de que o desenvolvimento sustentável só é alcançável
com mudanças de padrões de consumo e de produção,
assim como a atuação para a eliminação da
pobreza e desigualdade social, aproveitando a atual crise globalizada
como oportunidade para correção de desvios;
4. Ressalta o incentivo às agendas setoriais de compromisso com
o desenvolvimento sustentável, permitindo o estabelecimento de
metas e o monitoramento de seus resultados, destacando o estabelecimento
e a utilização de metodologia para a geração
de indicadores de sustentabilidade;
5. Apoia a educação, a popularização da
ciência, a comunicação em massa, assim como a divulgação
de experiências exitosas, como instrumentos fundamentais para
a formação dos cidadãos e o estímulo ao
seu engajamento em práticas sustentáveis no seu cotidiano,
incluindo conservação e uso adequado da água e
valores voltados ao respeito aos seres vivos e ao ambiente;
6. Urge a garantia do planejamento territorial de forma a promover a
biodiversidade, o uso adequado dos recursos naturais e, em especial,
a água, vinculando as atividades humanas ao território
de um modo democrático, participativo e promovendo o desenvolvimento
sustentável;
7. Constata a necessidade e a promoção da pesquisa científica
e tecnológica para identificar, evitar, mitigar e solucionar
os riscos ambientais, facilitando a transferência de conhecimentos
e adensando a colaboração Sul-Sul;
8. Reafirma a promoção de iniciativas de cooperação
internacional de forma ampla, a gestão compartilhada de bacias
hidrográficas, a exploração sutentável dos
recursos do mar e da Antártida;
9. Solicita a mobilização de esforços para revitalização
ou renaturalização de rios e bacias, bem como da preservação
de nascentes, com o compromisso de metas de melhoria da qualidade e
aumento da disponibilidade da água, bem como sua conservação
nas diferentes fases do ciclo hidrológico, igualmente solicitando
a implementação de pagamento por serviços ambientais;
10. Apoia igualmente a proposição de uma política
de água para o planeta, dentro do processo multilateral, especialmente
no âmbito da conferência de Istambul, tendo os princípios
éticos, ambientais e econômicos como base;
11. Ressalta o desenvolvimento e a difusão dos resultados de
estudos que esclareçam eventuais dúvidas sobre os impactos
no aumento da produção de biocombustíveis sobre
o meio ambiente e a produção de alimentos e ressalta ainda
o auxílio ao desenvolvimento do relatório especial do
IPCC - Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas
- sobre as energias renováveis: biomassa, eólica, solar,
hidráulica e demais e suas relações com as mudanças
climáticas (o relatório deverá ficar pronto em
dois anos);
12. Confirma o apoio a iniciativas e ao desenvolvimento de políticas
voltadas a garantir o papel dos biocombustíveis na promoção
de desenvolvimento sustentável, como elemento capaz de diminuir
a emissão de gases que impactam as mudanças climáticas,
sempre a partir de áreas já antropizadas;
13. Incentiva os serviços meteorológicos e hidrológicos
nacionais a contribuirem com os esforços da Organização
Mundial de Meteorologia em coletar dados e informações
globais confiáveis;
14. Assegura a garantia da continuidade dos debates e da troca de conhecimentos
sobre o desenvolvimento sustentável, o uso e a conservação
da água, em comunidades das redes sociais na internet, abrindo
à discussão os debates ocorridos neste Encontro;
15. Confirma igualmente levar esta "Carta de Minas Gerais"
como uma conclusão do Diálogos da Terra no Planeta Água
para fóruns internacionais da água e/ou que tratem do
desenvolvimento sustentável, em especial ao Fórum Mundial
das Águas de Istambul, em 2009, em suas recomendações
com relação a conservação e ao uso e gestão
das águas.
E afirma que o sonho de um desenvolvimento sustentável, economicamente
viável, socialmente justo e ecologicamente equilibrado, se faz
realidade se continuarmos unidos pelo diálogo, e fortalecidos
pela certeza de que é possível mudar, cada um fazendo
a sua parte, e acabando com a cultura de "esperar que os outros
e o governo façam por nós".
Belo Horizonte, 28 de novembro de 2008.
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